Afinal, evangélicos podem ou não podem considerar esse período do calendário cristão?
Talvez você já tenha ouvido falar sobre a Quaresma e a associe exclusivamente à tradição Católica Romana, imaginando que esse período não tenha relevância para a vivência da fé no contexto evangélico. No entanto, essa percepção não corresponde à realidade de muitas igrejas protestantes históricas. Denominações como anglicanos, luteranos e metodistas reconhecem a Quaresma como um tempo precioso para a reflexão espiritual, a leitura das Escrituras, a oração, a introspecção e o arrependimento.
A Quarta-feira de Cinzas, por exemplo, marca no calendário cristão o início da Quaresma: quarenta dias de preparação até a Páscoa. Sua prática remonta aos primeiros séculos da Igreja, quando penitentes públicos iniciavam um período de arrependimento. A imposição das cinzas tornou-se comum na Idade Média, especialmente a partir do século XI, como sinal visível de contrição. O gesto é simples e profundo: cinza na testa, muitas vezes em forma de cruz, acompanhada das palavras de Gênesis 3:19: “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás”.
No Brasil, essa data ocorre logo após o Carnaval. É um contraste quase pedagógico. O excesso cede lugar ao exame. O ruído dá espaço ao silêncio. A cultura celebra a exaltação do corpo; a Igreja lembra sua finitude.
O que é a Quaresma?
A Quaresma é um período do calendário litúrgico cristão que se inicia na Quarta-feira de Cinzas e se estende até o Domingo de Páscoa. Trata-se de uma jornada de 40 dias, desconsiderando os domingos, na qual a Igreja é convidada a meditar sobre o sacrifício de Jesus Cristo.
Esse tempo prepara o coração do cristão para viver com maior profundidade o significado da ressurreição. Ao final desse caminho, celebramos o evento central da fé cristã: a morte e a vitória de Cristo sobre a morte, por meio de sua ressurreição, em favor de toda a humanidade.
Em alguns contextos, surgem tentativas de associar a Quaresma a práticas culturais ou até mesmo a elementos que não fazem parte de sua proposta original, como o Carnaval ou costumes específicos de determinadas tradições. Essas interpretações acabam desviando a atenção do verdadeiro propósito desse período.
A essência da Quaresma é simples e profundamente bíblica: trata-se de um convite à autoavaliação. É um tempo oportuno para que cada cristão examine seus caminhos, reflita sobre sua maneira de viver, testemunhar e cultivar a fé.
Como aproveitar esse período?
Durante a Quaresma, o cristão pode adotar práticas que fortaleçam sua caminhada com Cristo, tais como:
- Separar diariamente um tempo para oração, leitura bíblica e louvor;
- Se desejar jejuar, fazê-lo com sabedoria, respeitando sua rotina e sua saúde;
- Utilizar leituras devocionais como apoio espiritual;
- Manter comunhão com irmãos e irmãs na fé que também buscam crescimento espiritual;
- Dedicar atenção especial aos Evangelhos, anotando aprendizados e pedindo a Deus graça para aplicá-los em sua vida.
Todo tempo é tempo de viver para Cristo
Sabemos que todos os dias do ano são oportunidades para viver em consagração ao Senhor. A proposta da Quaresma, porém, é trazer intencionalidade à nossa jornada espiritual. É um chamado para, junto à Igreja de Cristo espalhada pelo mundo, aprofundar nossas raízes na fé e nos prepararmos para celebrar a Páscoa com ainda mais significado.
Mais do que uma tradição, a Quaresma pode ser um caminho de renovação espiritual para todo aquele que deseja caminhar mais perto de Jesus.